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Já parou pra pensar que nessa vida moderna o relógio não cumpre mais a sua função inicial? Raramente o checamos para ver que horas são e sim freneticamente olhamos para o pulso ou celular para vermos quanto tempo falta, sempre achando que estamos atrasados. Isso acontece com você? Quando o foco está em “quanto tempo falta” isso nos revela o quanto estamos inseridos na urgência de resolver problemas e mais problemas. Sem dúvidas isso nos deixa cada vez mais ansiosos e estressados.

Uma pesquisa do Ibope revelou que muitos brasileiros estariam dispostos a pagar até R$ 50 para ter uma hora a mais no dia, se fosse possível. O relatório coletou informações de mais de duas mil pessoas em 143 munícipios do país. Quando li o artigo, achei no mínimo interessante. No corre-corre da vida moderna as 24 horas que nos é comum não são suficientes na maioria das vezes. Quem nunca pensou “queria poder me dividir hoje para fazer mais coisas” ou “o dia poderia ter no mínimo 30 horas”, que atire a primeira pedra. Pergunto: seria o tempo que corre veloz ou nossa vida que desce morro abaixo sem freio? Nosso grande dilema seria com o tempo ou com a vida que a cada dia que passa está mais atarefada?

Penso que seria com o dois. Na verdade, para mim tempo e vida estão absolutamente correlacionados. Desperdiçando-se tempo com coisas que não nos acrescentam ou não nos leva pra mais perto dos nossos objetivos e sonhos estamos jogando tempo no lixo, ou melhor, estamos jogando vida! Tempo é vida! Quem mata tempo não é homicida, é suicida.

2017 bate desesperadamente e quer entrar. Se não abrirmos ele vai invadir e alguns já tem leves arrepios na espinha só de pensar que vai começar tudo denovo, do mesmo jeito, com a mesma vida, com o mesmo tempo (ou melhor, a falta dele). Faltou tempo em 2016? Faço essa pergunta justamente para te colocar presente para uma verdade: jamais vai nos faltar tempo, o que nos falta são habilidades para aproveitarmos a vida, para a encaixarmos dentro do tempo que nos foi dado e não o contrário.

Ah, quantos estão ocupados com o corre-a-corre e esquecem da vida, esquecem da vida que realmente vale a pena ser vivida. Da vida notada, sentida, degustada, apreciada. Qual foi a última vez que fez um picnic? Que assistiu um filme e se emocionou, que viajou, que comeu algo diferente? Lembra-se da última vez que tomou banho de chuva, que andou descalço na grama, que teve dor na barriga de tanto rir, que escolheu um dia para não fazer nada, que orou, que chorou, que abraçou forte, que teve colo ou deu o seu pra alguém, que se espantou com uma linda paisagem, que cantou ou dançou sozinho ou acompanhado? Eis a vida e não o tempo!  

Quanto mais aproveitamos a vida, quanto mais presentes e inteiros estamos para ela, quanto mais sensíveis estamos para o nosso dia-a-dia, mais produtivos somos, mais coisas importantes (e menos urgentes) realizamos. Aprendi recentemente em uma entrevista que tive a oportunidade de fazer com o filósofo e escritor Mário Sérgio Cortella que a palavra prioridade na prática não existe no plural, pois quando colocada deixa de ser. Ser produtivo não é fazer mais coisas e sim fazer o suficiente para ter uma vida que valha a pena.

Prossiga para 2017 com a esperança de que a vida pode ser mais se o tempo for o de menos. Não lote sua agenda de ocupações e sim de coisas importantes que o façam viver mais e melhor. Eis nossa prioridade: Vida!

Bianca Oliveira,

Jornalista, Apresentadora do Programa Conexão Jovem da TV Novo Tempo.

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escrito por Bianca Oliveira
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